Ontem fui ver Cegueira no Bristol com a Tosa, confesso que ja havia ouvido todo tipo de comentario possivel sobre o filme, mas sabia que algo ia me tocar, achei que iria rir e chorar.Não foi assim.
A impressão que tive é que estava diante de um reality show que revelava o extremo do ser humano, Meirelles não poupou o espectador, mostrando a visão de Saramago, sobre um mundo alheio preso em metros cubicos abrigando uma quarentena de cegos-temporarios, que mais parecia uma jaula de zumbis.Uma nova sociedade se estabelece ali naquele lugar, prevalecem 3 itens de sobrevivencia ali.A fome, o sexo, e o poder.
O branco da fotografia não nos poupou de cenas chocantes, que davam embrulho no estomago, e ali naquele momento, em que a sujeira tomava conta dos cenarios, o especetador acaba desejando ser um daqueles cegos, assim como a personagem de Juliane Moore que transpõe com maestria a agonia de sua personagem, numa atuação no minimo fantastica.Ao contarrio do que se espera o filme não foca rostos e olhares debilitados, mas sim o caos do movimento não calculado, ali quem não encherga vira um animal domestico , dependente e completamente irracional.
Eu como ator tambem vi um desprendimento que me espantou, os atores presentes no filme, tem atuações cruas, não no sentido de interpretação, mas no sentido de imagem.Todos são "feios", mesmo Moore parece um esqueleto com sardas, e é impressionante como a falta de cuidado(proposital) em deixar os atores (impecaveis esteticamente) deixou com que todos ficasssem exuberantes, sem o menor compromisso com as rugas a mais, a barba por fazer, ou as banhas em evidencia, todos se centram na interpretação livre de vaidade, e da resultado, vc se apega às sensações e não ao retrato de uma emoção.Afinal quando se assiste um filme de Angelina Jolie você demora pelo menos meia hora pra esquecer dela e entrar em suas personagens.É inevitavel que venha em nossa mente que ela adotou 500 filhos ou esta ou não bem Brad Pitt.Em cegueira, deixamos de olhar para nomes de peso( e olha que um filme com Bernal, Alice Braga, Glover e Ruffalo) corria todo o risco de parecer carregação.Ali a maquiagem é dispensavel, afinal quando se esta cego quem ira reparar no batom, ou no lapis do olho?
Agora entendo pq li que Saramago se acabou de chorar quando viu o filme, o dialogo entre Moore e Alice Braga no chuveiro me emocionou muito.
Braga- Ela é linda
Moore-Como vc sabe, vc nunca me viu?
Braga-mas nos meus sonhos vc é linda.
Sim quando os olhos não fazem a pericia, quem entra em cena é o coração, o sentir.E quem dira ao contrario?
Cegueira é um grito forçado sobre egoismo, não o egoismo mimado e individualista, mas o natural de nossa essencia, em que brigar por 1 prato de comida, só se justifica pela fome de viver, e não por competição.
Isso fica claro na narração final, onde tds comemoram o fato do primeiro indivuduo a ficar cego voltar a enxergar, mas tds comemoram na verdade suas esperanças pessoais, e não a façanha alheia.A esperança egoista mas necessaria, a inveja do outro que pode significar a salvação.
Não recrimina-se nada nem ninguem, não ha moral, o jogo psicologico feito por Meirelles nos traz sentimentos não previsiveis, vc não vai simplesmente rir ou chorar.Vc ficara passado, com nó na garganta, impressionado, revoltado, e outras sensações q vc nem sabe o nome tambem virão.
Cegueira não é um filme para ser gostado, mas sim digerido, não ha apelação, é uma profecia ficcional sobre uma epidemia metaforica.A trilha toda feita pelo Grupo mineiro Uakti é fantastica. (eu ja era fã deles), as imagens de São Paulo devastada pela sujeira, e outros belissimos e crueis como os cães comendo pessoas, ou Moore liderando uma fila de cegos de mãos dadas.
A cena das mulheres indo em direção ao estupro coletivo é tão bem desenhada e de tão bom gosto que o teor pesado do que esta para ocorrer é amenizado ( se é que o que acontece é algo amenuo).
Po mais que eu fique aqui tentando contar as mil sensações que este filme me deixou, não conseguirei, não ha palavras, assim como ali na historia ninguem tem nome.
Na era da imagem, onde só o que se vê, é o que importa, Meirelles mostra que o olhar não é o bastante, sentir é bem mais relevante.
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3 comentários:
Oi meu amor......li seu blog sobre a filme da Cegueira de saramago e não tinha como não comentar, adoro este autor q pra mim é um dos mais fantásticos, adoro provocações!rs. Alguns dizem q esta história é meio como Matrix, quem quer tomar a pílula da verdade em meio ao caos? Será q é melhor estar no papel de quem vê? Além disso, a cegueira e o conseqüente caos faz com q a personalidade de cada um fique mais evidente: o q usa da força pra ter poder; a q doa seu corpo em prol dos demais. Mas o q mais ficou marcante pra mim nesta história, na verdade depois q li o livro, foi a certeza de q a anarquia não daria certo justamente por isso: pq se formos contar com o caráter e a personalidade das pss pode ser q vivêssemos num mundo feito animais, não existe auto-governo pacífico! O q nos torna civilizados são as regras, não tem como fugir à elas! Bjo meu amôoooo.......
Esqueci de colocar ai um foco importante q levo pra mim: há sempre uma boa desculpa para os de alma pouco nobre......faltou dizer isso rsrsrs....bjos.
teor nu, cru , poético..
estou numa fase de poucas palavras, absorta totalmente na minha dor, me emociono facilmente..
filme imperdível.. compania mais ainda..
visita meu blog e comenta a minha historia..
t amu
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